e s f e r a o b t u s a

Filha da caixa em exílio involuntário

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Emo, ou a nova geração

"Tenho cerca de 17 anos" - li hoje esta pérola num fórum para miúdos e graúdos e deu-me logo para falar mal da nova geração rasca. A nova, porque a minha também já foi rasca, mas agora é lutadora, trabalhadora, profissional e competente. E já critica a outra, a mais jovem, a 'geração playstation'.

"Não têm imaginação, não sabem pensar, têm tudo o que querem desde muito cedo, são tão mimados, não lêem, não sabem escrever, passam a vida a mandar sms (mas foram capazes de criar uma nova linguagem... mais simples...)" são alguns dos argumentos arremessados contra os mais jovens. Nada disto deixará de ser verdade, num primeiro olhar. Mas noutro, mais além, podemos facilmente recordar que TODAS as gerações mais novas, ao longo da história recente, foram classificadas como menos capazes do que as suas antecessoras. Não há nada a fazer, os jovens são sempre diferentes. Quase sempre incompreendidos. Para poderem mudar o mundo têm de cortar com o pré-estabelecido, com a ordem, tal como todos nós fizemos a dada altura. É certo os 'jovens de agora' - conversa caduca - não lêem tanto, mas têm outras tantas solicitações que eu não tive. Não conheci a internet aos 4 anos de idade, mas aos 18, quando o essencial em mim já estava formado. Tive o meu primeiro telemóvel com a mesma idade. E computador, só depois dos 20. É óbvio que teria de ser diferente. É também óbvio que "no meu tempo", passar 70% do tempo a ler e o resto a ver televisão e a brincar na rua com os outros miúdos, era a coisa mais natural do mundo.

É também assustador verificar que já existe uma geração inteira a seguir a mim, com manias próprias, e que eu posso com toda a propriedade - embora não confortavelmente - usar expressões como "naquele tempo" ou "há 20 anos atrás". Mas ao que interessa. Os mais novos têm muito mais competências tecnológicas do que nós alguma vez teremos. Isso garante-lhes sucesso numa sociedade em mudança, que vive hoje ATRAVÉS da tecnologia. Isso é evolução. E não há quem pare a evolução. Ah! Emo é, para quem não sabe, uma nova moda que, como sempre, reúne numa forma de estar e vestir influências musicais, culturais e, eventualmente, tem também drogas próprias. Pode ser descrito, de forma algo redutora, como uma espécie de anos 80 revisitados, com telemóveis à mistura - até os all star regressaram. Para perceber como se revela - mas não o que é - basta olhar para um qualquer grupo de adolescentes.

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