segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Bolas de sabão no prédio da frente
Da janela saiu finalmente o 'aluga-se t2' para dar lugar a cortinas coloridas. Chegaram este fim de semana e a primeira coisa que os vi fazer foi instalar uma antena parabólica na varanda, virada de frente para a minha cozinha.
Três miúdos, um irmão mais velho, aí de uns 12 ou 13 anos, e dois mais novos, 9 ou 10, rodopiavam em torno do circulo mágico, que vai atenuar, não sei se as saudades de casa, ou animar os hábitos adolescentes internacionais.
Não sei se são paquistaneses, indianos ou do Bangladesh. Não sei distingui-los da mesma forma que sou capaz de intuir a diferença entre chineses e japoneses.
Sei que são três crianças, naquela idade em que tudo fica na retina. Desse tempo recordamos normalmente os sítios em que vivemos e crescemos, em que mudámos. Imagino que vão recordar-se daquela rua só de um sentido por toda a sua vida, e daquela varanda onde se impunha a antena, e talvez da vizinha do prédio da frente que olha, na sua varanda, enquanto ri da alegria dos miúdos que, até estar tudo a funcionar, para se instalarem frente ao ecrã, fazem bolas de sabão no rectângulo de ar livre da sua nova casa.
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