e s f e r a o b t u s a

Filha da caixa em exílio involuntário

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

A abrir

Depois de anos a escrever o que acho aqui e ali, e já consciente de a poucos interessará o meu olhar sobre as pedras da calçada - a esfera pelo obtuso - decido atirar os meus pensamentos para essa grande rede, como se do espaço infinito se tratasse.

Diário (ou semanário, ou mesmo mensário) de bordo, para inquietações presentes e futuras que só a mim interessarão, mas que optei vomitar para o mundo a ver se não sou a única. A ver se há eco.

Depois de um ano cozido a banho maria, praticamente sem nada a assinalar que não as viagens - precedido de outro bastante inquietante e recheado de mudanças - resolvo abanar aqui e ali, mudar-me outra vez, renovar a capa ao meu diário. O bordo continua cinzento, chuvoso, vazio e agora também mais restritivo. A beleza do fumo a sair por entre os dedos numa mesa de café onde predomina esse odor inebriante, entre uma folha e outra de jornal, deixou de ser possível. E isso entristece-me.

Estamos todos cada vez mais pobres, cada vez mais feios e velhos, desgastados tanto que nem vigor há para erguermos a voz.

Do outro lado da barricada estamos cada vez mais clean, mais ricos e sofisticados, mais tecnológicos. A cada dia mais cagões.

E eu, onde estou? Abano a corda, a ver se resulta. A ver se resulta.