e s f e r a o b t u s a

Filha da caixa em exílio involuntário

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Ter poder

"Não há relações sociais sem jogos de poder", dizia uma psiquitra sobre as relações de amizades que as crianças desenvolvem.

É sempre um laço de poder, de facto, desde a primária, que se perpetua pela idade adulta. Quem tem poder é sempre o mais forte, o mais bonito, o mais bem vestido, o mais rico, o mais inteligente. Se naquela altura esses estatutos dependem muito mais dos nossos pais do que de nós mesmos, à medida que o tempo passa cabe-nos ser responsáveis pelo nosso próprio sucesso, e consequentes jogos de poder que lhes estão associados.

Aí, é a nossa natureza que vem ao de cima. Podemos ser do tipo simpático, do tipo popular, do tipo manipulador, do tipo eu-sei-lidar-com-toda-a-gente ou mais do género bicho do mato. Entre estas possibilidades há variações, e tudo passa a depender do lugar que ocupamos na relação com o outro. Se o olhamos de cima, de baixo ou de frente, basicamente. Ou pior, se nem sequer o olhamos ou somos olhados.

Depois há outras medições de forças muito mais subtis e sensíveis, cuja corda está sempre bamba. As relações de amor e de amizade exigem sempre um equilíbrio e é nele que reside a capacidade de acreditarmos que podemos ser mais. Há, ainda, as outras relações mais desiquilibradas: as que temos com os nossos pais, que nos poõem nos píncaros, com aquele admirador que nunca deixou de nos desejar ou, por outro lado, com o nosso chefe, para quem nunca fazemos o suficiente e bem que chegue.

Entretanto há as outras, tantas outras que a indiferença lhes toca se parecerem irrelevantes para o topo que subimos a custo e que queremos a qualquer custo atingir, Aquelas que servem para calcarmos e olhar mais de cima. Ou o contrário.

Equilíbrio precisa-se, porque as cadeiras de poder são escassas e nem todos os rabos lá cabem.

1 comentário:

Palaroide disse...

Inevitavelmente somos animais, em busca da sobrevivência...