e s f e r a o b t u s a

Filha da caixa em exílio involuntário

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Escárnio e maldizer

Há episódios que acontecem no nosso país perante os quais as únicas reacções possíveis são rir a bandeiras despregadas ou chorar baba e ranho.

Às vezes são precisos acontecimentos destes para de repente darmos conta que não acabámos de aterrar num local onde proliferam atrasados mentais mascarados de funcionários públicos ou de coadjuvantes - ou mesmo de mandatários - com o sistema quarto mundista que nos governa. Habitamos o mesmo planeta afinal. Eles andam aí.

Calculo que em condições normais, um episódio destes faria cair o Governo. Mas não. Pacificamente substitui-se o ministro e siga pra bingo. Sem consequências, sem mácula. Já se tornou hábito. Quem faz um (ou muitos) disparate(s) demite-se e depois vem outro, para apanhar os cacos e negar responsabilidades. O povo é que tem as costas largas.

E agora parece que tem também o raciocínio turvo pela crise, imagino essa a razão. Tiram-lhe tudo, e nem um ai. Não vá ficar este planeta ainda mais atrasado, elementar, povoado de seres incompreensíveis que nos comandam e decidem por nós piores do que os que já ocupam o poleiro. Temos medo. Assim alastra a epidemia de atraso mental agudo que prolifera um pouco por todo o lado. Sem heróis nem exemplos, senão os piores.

Felizmente é Carnaval e em breve tudo será esquecido. Felizmente não era eu nem nenhum dos meus quem estava à espera do INEM. Felizmente o humor tem poder. Pelo menos o de trazer à lembrança, o de mostrar outra perspectiva. O poder de ninguém levar a mal. Para os Gato Fedorento é sempre Carnaval e escárnio e maldizer, e ainda bem. Felizmente fazem-nos rir de um episódio que tem tanto de insólito como de inaceitável.

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