A minha irmã tinha um amigo, o Luís, que nasceu a 29 de Fevereiro. Esse dia só existe de quatro em quatro anos, o que lhe servia para dizer que era muito mais novo sem mentir. Na altura não fazia muita falta a desculpa, porque ficava com a idade de uma criança de colo, mas agora talvez faça mais jeito.
Não sei dele porque há anos perderam o contacto, mas gostava de lhe dar os parabéns, só amanhã, porque depois só em 2012 será possível voltar a fazê-lo.
Naquela altura achava isso estranhíssimo, mas claro que para ele era a coisa mais natural do mundo.
Nesse como noutros aspectos mais graves e sérios, são os olhos dos outros que tantas vezes nos mostram que temos uma diferença. Que a nossa situação não é 'normal'.
No filme 'Twin Falls Idaho' - não me lembro da tradução - por exemplo, é evidente como a diferença se espelha e incomoda muito mais os outros do que os próprios.
A história dos dois irmão siameses, ligados pela cabeça, mostra uma vida cheia de emoções e sentimentos, um amor profundo entre os dois, uma magia que só se desfaz quando entra em cena um terceiro elemento, e depois mais, que tudo vão desconstruindo.
Nenhum de nós é normal, porque não existem duas pessoas iguais, logo, não pode haver um parâmetro.
Mas há quem sectorize as pessoas pelo que elas parecem, desumanize quem não tem 'tudo no sítio', como se o humano fosse apenas ou principalmente corpo e nem tanto alma, emoção e razão.
Mais felizes serão aqueles que conseguem viver com aquilo que têm, mas, principalmente, os que conseguem olhar para si muito para além da 'diferença' que os outros encontram.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
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