quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Para além da Lua
Ergue-se prepotente, arisca, orgulhosa. À primeira vista não se compreende essa arrogância mascarada. É um sentido que vem do nada, parece. Mas depois vê-se que é nato. Não importa o caos que a assoberba, somente a pessoa altiva que dela emerge.
É difícil chegar aqui, desde a origem. A espera é uma constante que se impõe a qualquer circunstância, daí que a paciência seja indispensável a qualquer um que por cá se aventure.
Não sabe de si esta cidade louca. Tenta ainda encontrar-se nos escombros, esconder-se atrás de luminosos e brilhantes novos edifícios. Mascara a mediocridade aos poucos, ainda não é capaz de disfarçar a miséria.
Mas é, ainda assim, fascinante, misteriosa na sua bruma poirenta, sedutora, passada a neblina que a envolve.
Ri-se de tudo menos de si própria, menos vezes dos que a povoam, entre a grandeza e o espírito de missão diária com que se apresentam ao mundo, por hoje. Amanhã se verá.
Desconfiada de mim, olha-me de lado, como quem avalia ao mesmo tempo que pergunta - que me queres tu? Descobrir-te, já que para entender-te não chega o tempo.
Move-se depressa, mas devagar. Entra-se nela com um sentido que se perde pelo caminho. E nem vale a pena questionar.
Deslumbrada pela sua beleza sei que não caminharei pelas suas entranhas mais profundas. Calculo que me é vedada por princípio a sua natureza puramente selvagem. Resta-me o olhar urbano pelo limbo entre o que parece e o que calculo ser. Olhá-la de longe será por ora o bastante.
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