Nem sei como consigo escrever.
O meu corpo derrete-se ao bater de cada tecla. Tenho demasiado calor para pensar, mais ainda para trabalhar. Sim, é sábado à noite, mas tendo em conta que passei o sábado de manhã a dormir, suada entre os lençóis quentes, acordada de tempos a tempo pelos sons que entram pela janela aberta, depois de altas horas sem dormir com o quente a manter-me desperta, e a tarde a lourear pevide e a fazer todas as actividades menos indispensáveis que se possa imaginar, agora urge o trabalho que ficou por fazer. Porque é que todas as merdices que deixámos por fazer ao longo da semana, coisitas sem importância que podem fazer-se pra semana, surgem agora tão urgentes, mais interessante e importante do que trabalhar?
Sim, a manhã devia ter sido passada no supermercado a compor a despensa para a semana. Sim, podia ter aproveitado para saltitar nos saldos antes que acabem, o que acontecerá mais ou menos a meio da próxima semana, quando não restar uma única peça de jeito a preço reduzido que tanto me faz falta para os 9 meses de verão que me esperam. Quando todas as lojas ostentarem um grande -70% e reservarem um canto dos fundos para os 11 trapos que sobraram da fúria inicial e o resto ostentar a 'nova colecção' um misto de 'o verão ainda vai a meio' com 'tons outonais-regresso à vida activa'.
Jesus, nove meses sem conseguir racicionar como deve ser, a destilar qual banho turco a cada passo, será possível? Só dedicando-me à preguiça. Eu não queria, eu não quero, debato-me, mas ela insiste, seduz, tolhe.
Sim, a tarde deveria ter sido ocupada a trabalhar, a raciocinar, a preparar. Mas não foi.
Qual pesadelo, as pernas não se mexem, estão pesadas, a cabeça ainda vai planeando certinho o que se segue, mas o corpo não responde, enquanto se recosta de mansinho cada vez mais ao sofá. Só mais uma página desta revista, só mais até ao próximo intervalo, só mais um cigarro, só mais este telefonema, só mais o jantar e a seguir é que é.
E foi mesmo, quase.
A pobre reflexão é tudo o que dá. Custa-me pensar, custa-me estar. E a culpa é dela. Quero fazer e acontecer, mas quando me levanto tudo se move como em câmara lenta. De um lado a minha organização a martelar o tens que fazer, do outro a bitch a porpor uma prainha, um sentar, um dolce fare niente. Céus, que calor.
Ainda tento uma última batalha, e faço qualquer coisa, pouco, amanhã é que é, por hoje este quase nada chega. Resta-me render-me à preguiça, esparramar-me no meu sofá e ler um pouco de Aquilino, que ao menos me manterá acordada com o seu discurso rebuscado. É para já bitch.
domingo, 20 de julho de 2008
sábado, 12 de julho de 2008
É para hoje sff
Hoje, não há outros amigos que me valham. Tento todos, a ver se resulta. Mas não. Hoje tens de ser tu.
Vens até cá por favor? Acompanhas-me no copo, no bife grelhado e na dança caseira posterior?
O palco está montado ao teu gosto, ao nosso gosto, CHEGA CÁ. A VER SE TE ANIMAS a ver se me animas.
Vens até cá cantar um pouco roucamente? Preciso de quem só como tu sabe dizer é hoje que amanhã pode ser tarde, como só tu sabes. Vens até cá?
Ninguém como tu para dançar comigo até o sol nascer.
ha mimas ideias, as histórias, qual poeta, qual argumentista. Urges-me. TODAS AS LETRAS E TODAS AS DANÇAS SÓ PARA TI.
DEPOIS, QUE FAREMOS DAS NOSSAS VIDAS?
Mas agora só tu e eu, dançando ao vento que entra pela janela, é tudo quanto preciso.
Vem até cá.
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